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	<title>ESPCA Biodiversidade</title>
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	<description>Escola São Paulo de Ciência Avançada - Biodiversidade</description>
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	<title>ESPCA Biodiversidade</title>
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		<title>Aproximar produção e uso de conhecimento é fundamental para tornar mais eficientes a conservação e o uso da biodiversidade</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Feb 2025 14:10:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[Estratégias de conservação da biodiversidade requerem o engajamento de cidadãos, governo, comunidades locais e cientistas, avaliaram palestrantes da Escola São Paulo de Ciência Avançada Cocriando Avaliações de Biodiversidade]]></description>
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<p><em>Estratégias de conservação da biodiversidade requerem o engajamento de cidadãos, governo, comunidades locais e cientistas, avaliaram palestrantes da Escola São Paulo de Ciência Avançada Cocriando Avaliações de Biodiversidade</em></p>



<p>Por Paula Drummond e Érica Speglich</p>



<p>Embora a biodiversidade seja essencial para a avaliação ecológica e a conservação, suas medições práticas às vezes não capturam a essência do funcionamento dos sistemas naturais e são inadequadas para orientar efetivamente as tomadas de decisão. É crucial expandir o escopo da coleta e análise de dados, de modo a acompanhar demandas e aprimorar conceitos e, sobretudo, aproximar reciprocamente a produção e a demanda do conhecimento.</p>



<p>Essa avaliação foi feita por Thomas Lewinsohn na abertura da Escola São Paulo de Ciência Avançada “Cocriando Avaliações de Biodiversidade”, organizada pelo Programa de Pós-graduação em Ecologia da Unicamp, <a href="https://agencia.fapesp.br/unicamp-recebe-inscricoes-para-escola-de-ciencia-avancada-sobre-biodiversidade/50734"><u>com apoio da Fapesp</u></a>. O evento reuniu 57 participantes de 22 países de quatro continentes, entre pós-graduandos, pesquisadores em início de carreira, gestores e técnicos da área ambiental. Os participantes passaram 14 dias em São Pedro (SP) discutindo formas de integrar conhecimento acadêmico e prático sobre biodiversidade para subsidiar tomadas de decisão. Além disso, foram organizados grupos de trabalho para desenvolver possibilidades de solução para demandas e problemas reais identificados pelos próprios participantes em suas áreas de trabalho.</p>



<p>“Há um desencontro entre a produção de conhecimento e seu uso prático. Uma das propostas centrais da Escola é promover essa integração, aprimorando o alinhamento entre a criação e a aplicação prática das informações,” afirma Thomas Lewinsohn, coordenador do evento. Para isso, a Escola buscou criar um ambiente colaborativo, no qual os participantes pudessem trocar ideias livremente e trabalhar juntos, visando a aplicação prática das percepções obtidas em problemas reais, a partilha de experiências e a formação de novas parcerias. “Para os trabalhos finais elaborados pelos participantes, esperamos que o conhecimento gerado seja organizado em uma linguagem prática e em formatos que facilitem seu uso e entendimento para todos os envolvidos, como Notas Técnicas, Guias e artigos voltados ao público não acadêmico”, complementa Simone Vieira, vice-coordenadora da Escola.</p>



<p>Aproximar o conhecimento acadêmico das demandas práticas de conservação é a inspiração de algumas iniciativas de pesquisa no Brasil. Um exemplo são os Programas Biota/Fapesp, que já subsidiou diversos <a href="https://www.biota.org.br/resultados/"><u>instrumentos de políticas públicas</u></a> em seus 25 anos de existência, e o Biota Síntese, que promove a colaboração entre pesquisadores, gestores e sociedade civil para subsidiar políticas públicas voltadas à sustentabilidade em áreas urbanas e rurais no Estado de São Paulo. “Desde 2022, o Biota Síntese gerou <a href="https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/series/Biota"><u>três Notas Técnicas</u></a>: sobre biomassa de carbono no estado, sobre arranjos financeiros para o financiamento da restauração de ecossistemas e sobre <a href="https://www.biota.org.br/biota-sintese-faz-sua-primeira-contribuicao-em-politicas-publicas/"><u>Estratégias para a Implementação do Plano de Ação Climática do estado</u></a>&#8220;, afirma Mariana Cabral, da Universidade de São Paulo e Gestora da área de Ciências Biológicas da Fapesp.</p>



<p>Outro exemplo, desta vez do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), é o Centro de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (SinBiose). Criado a partir de demandas identificadas pelo Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD), o SinBiose tem como objetivo abordar problemas complexos e interconectados, como as emergências climáticas, a perda de biodiversidade, a soberania alimentar e as doenças tropicais negligenciadas, por meio da coprodução de conhecimento e do incentivo à tomada de decisões baseadas em evidências. “Já produzimos <a href="https://www.gov.br/cnpq/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programas/sinbiose-1/policy-briefs-1"><u>oito </u></a><a href="https://www.gov.br/cnpq/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programas/sinbiose-1/policy-briefs-1"><em><u>policy briefs</u></em></a> com os resultados dos projetos”, explica Marisa Mamede, do CNPq.</p>



<p><strong>Coprodução como caminho</strong></p>



<p>Uma das estratégias que tem despertado crescente interesse entre aqueles que buscam aproximar a ciência das necessidades dos seus usuários é a coprodução de conhecimentos. Essa abordagem implica na construção conjunta de saberes entre todos os envolvidos, de forma colaborativa e sem hierarquias. Esse processo requer engajamento em discussões intensas e, principalmente, na criação de produtos ou ações compartilhadas, sejam elas técnicas ou científicas. “Muitas vezes, o termo tem sido utilizado como sinônimo de processos participatórios, mas a coprodução pressupõe uma transformação nos conhecimentos de todos os envolvidos no processo”, esclarece Maria Carmen Lemos, da Universidade de Michigan (EUA).</p>



<p>“O conhecimento gerado por processos de coprodução precisa ser adaptado para apoiar a tomada de decisões”, afirma Lemos. “Para alcançar algo adequado, é necessário flexibilidade e negociação, em um jogo de interações em que o respeito pelo saber e pelas decisões do outro é fundamental. Nesse processo, o conhecimento científico também se transforma. Se você não mudou a ciência, não houve coprodução”, conclui a pesquisadora.</p>



<p><strong>Experiências que inspiram</strong></p>



<p>Os caminhos para a construção de uma ciência engajada com demandas de outros atores envolvidos na conservação da biodiversidade requer dedicação, tempo e, sobretudo, estar disposto a ouvir. “É preciso interagir para mudar nossa visão”, diz Joice Ferreira, da Embrapa Amazônia Oriental. A pesquisadora é uma das lideranças da Rede Amazônia Sustentável (RAS) que já faz pesquisa há mais de 20 anos na Amazônia. “Nossa pesquisa no início era muito centrada na academia, hoje não fazemos nada sem interação com as comunidades locais”, explica Joice Ferreira, que participou de uma das cinco mesas redondas que ocorreram ao longo da Escola.</p>



<p>Camila Ritter, do Instituto Juruá e do INPA, mostrou casos de monitoramento de base comunitária na região da Volta Grande do Xingu e Médio Juruá, no qual os ribeirinhos e indígenas protagonizam formas eficientes de monitoramento e conservação dos recursos naturais. “Os pesquisadores precisam estar de fato no local, conviver, escutar, do contrário, estaremos reproduzindo uma ciência branca europeia”, alerta Camila Ritter.</p>



<p>O <a href="https://www.io.usp.br/images/noticias/PLDS2016_ebook.pdf"><u>Plano Local de Desenvolvimento da Baía do Araçá</u></a>, em Ubatuba (SP), foi construído em 2016 a partir de discussões sobre os impactos de uma possível ampliação do Porto de São Sebastião. O documento foi resultado de um esforço coletivo de membros da comunidade da Baía do Araçá e da população de São Sebastião, além de instituições de pesquisa, iniciativa privada e órgãos públicos. Esta experiência foi relatada por Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico da USP e um dos pesquisadores principais do <a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/46798/biodiversidade-e-funcionamento-de-um-ecossistema-costeiro-subtropical-subsidios-para-gestao-integrad/"><u>projeto Biota-Araçá</u></a>, responsável pela movimentação que resultou no Plano.</p>



<p>Catarina Jakovac, da Universidade Federal de Santa Catarina, mostrou os avanços na produção de indicadores de regeneração natural na Amazônia como uma estratégia eficaz para a tomada de decisão para a restauração florestal. O projeto, parte do SinBiose, lançou um <a href="https://www.gov.br/cnpq/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programas/sinbiose-1/pdfs/brief_regenera-port-tela.pdf"><u>Policy Brief</u></a>, <a href="http://regenera-amaz.pdbff.org.br/"><u>notas técnicas e um glossário</u></a> sobre regeneração natural com o intuito de colocar essa estratégia de restauração no âmbito das políticas públicas para a Amazônia. “Conseguimos até o momento informar como e onde a regeneração natural natural pode servir como estratégia para a restauração de ecossistemas. Ainda não vimos os indicadores serem amplamente aplicados e sabemos que ainda podemos aprimorá-los. Mas antes um óculos embaçado do que nenhum óculos” compara Catarina Jakovac.</p>



<p>Já Guilherme Longo, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, apresentou uma experiência bem-sucedida de ciência cidadã mediada pelas redes sociais. #DeOlhonosCorais existe desde 2018 no Instagram e convida sobretudo mergulhadores a postarem fotos de corais e sua localização usando a hashtag do projeto. “No começo foi uma experiência difícil, outra linguagem, mas, aprendemos como funcionam as regras [do Instagram] e jogamos o jogo. Tivemos resultados impressionantes”. Foi por meio de uma foto de um cientista cidadão que o estado do Rio Grande do Norte teve a primeira notificação do “coral sol”, uma espécie invasora mundial, que agora ameaça a biodiversidade de corais da costa brasileira. “Com esta informação, o órgão estadual do meio ambiente do Rio Grande do Norte [IDEMA] iniciou um programa de controle da espécie invasora na costa potiguar” , completa Guilherme Longo.</p>



<p>Do outro do lado do Atlântico, Rui Pedrosa, da Universidade de Leiria,em Portugal, apresentou a experiência de interação entre seu laboratório e a indústria e comércio locais e como isso inspirou inovações tecnológicas baseadas na biodiversidade e a valorização de produtos marinhos não convencionais. A experiência resultou no lançamento de produtos como pães, massas e azeite com algas e um gin com extrato de algas. “As grandes empresas muitas vezes têm desenvolvimento tecnológico próprio, mas para as pequenas e médias empresas a parceria com as universidades é essencial”, ressalta Rui Pedrosa, “e a melhor forma para construir conhecimento é com as pessoas, são elas que fazem o desenvolvimento das tecnologias se manter nas empresas”.</p>



<p>As interações com o setor privado foram apresentadas por Roberto Klabin do Refúgio Ecológico Caiman, uma propriedade de uso misto em Miranda (MS) que agrega pecuária extensiva de corte, atividades de ecoturismo, pesquisa e áreas de preservação ambiental. Recentemente, a propriedade passou por um processo de certificação para a oferta de Créditos de Biodiversidade. “A certificadora avaliou todos os efeitos negativos e os positivos para a biodiversidade gerados a partir dos diferentes usos que temos na propriedade e essa análise verificou que temos mais efeitos positivos que negativos, gerando Créditos de Biodiversidade”, explica Roberto Klabin, que participouda recente reunião da COP de Biodiversidade em Cali, na Colômbia. “As discussões sobre Créditos de Biodiversidade ainda são muito iniciais, precisam ser mais aprofundadas”, reflete Roberto Klabin, “há várias ideias em termos de como medi-los, ainda há muita confusão e basicamente não há precificação. Apesar disso, acredito nessa ideia e acho que é um excelente instrumento financeiro para restaurar e proteger a natureza”.</p>



<p>A Escola contou, ainda, com a participação de pesquisadores mundialmente reconhecidos como Robin Chazdon (Universidade de Connecticut, EUA), Matías Enrique Mastrangelo (Universidade de Mar del Plata, Argentina), George Brown (Embrapa) e Rodolfo Dirzo (Universidade de Stanford, EUA).</p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Evento internacional convida jovens pesquisadores a diminuir barreiras entre a pós-graduação e tomada de decisão na área ambiental</title>
		<link>https://espca.ib.unicamp.br/evento-internacional-convida-jovens-pesquisadores-a-diminuir-barreiras-entre-a-pos-graduacao-e-tomada-de-decisao-na-area-ambiental/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ESPCA]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Feb 2025 13:55:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[A Escola São Paulo de Ciência Avançada “Cocriando Avaliações de Biodiversidade” aconteceu no início de novembro e foi organizado pelo Programa de Pós-graduação em Ecologia da Unicamp]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>A Escola São Paulo de Ciência Avançada “Cocriando Avaliações de Biodiversidade” aconteceu no início de novembro e foi organizado pelo Programa de Pós-graduação em Ecologia da Unicamp</em></p>



<p>por Érica Speglich</p>



<p>Durante 14 dias, 57 pós-graduandos, pesquisadores em início de carreira, gestores e técnicos da área ambiental vindos de 22 países ser reuniram na <a href="https://espca.ib.unicamp.br/">Escola São Paulo de Ciência Avançada “Cocriando Avaliações de Biodiversidade”</a> para discutir e propor a integração entre conhecimentos acadêmicos e práticos sobre biodiversidade para subsidiar tomadas de decisão.</p>



<p>“Um dos maiores desafios enfrentados hoje é o desencontro entre a produção de conhecimento e sua aplicação prática. A proposta central da Escola foi justamente promover essa integração, criando um ambiente colaborativo e interdisciplinar”, destacou o coordenador do evento, Thomas Lewinsohn, professor emérito do Instituto de Biologia.</p>



<p>Durante a primeira semana do evento, os participantes assistiram a <a href="https://espca.ib.unicamp.br/noticias/">palestras e mesas redondas</a> e apresentaram seus trabalhos. Na segunda semana, eles se organizaram em grupos para desenvolver soluções para demandas reais trazidas de suas próprias experiências e interesses. Por exemplo, a criação de estratégias de conservação para polinizadores, identificação de técnicas simples e acessíveis para o monitoramento da restauração de ecossistemas e a discussão de diretrizes para a criação de créditos de biodiversidade que integrem instrumentos financeiros sustentáveis e contribuições para a conservação da biodiversidade.</p>



<p>Entre os produtos esperados estão Notas Técnicas, Guias e materiais voltados a públicos não acadêmicos, como gestores e comunidades. Para Simone Vieira, pesquisadora do NEPAM e vice-coordenadora da Escola, essa abordagem prática é essencial: “queremos que o conhecimento gerado nesse período seja acessível e aplicável a todos os envolvidos, não apenas à academia”, afirmou.</p>



<p><strong>Impactos para a pós-graduação</strong></p>



<p>Simone Vieira enfatizou, ainda, o impacto do evento no Programa de Pós-Graduação em Ecologia da Unicamp. Segundo ela, “a Escola reuniu docentes afinados com a temática do evento que, de outra maneira, não estariam trabalhando juntos. Fazer essa construção conjunta aproximou as pessoas e isso tem bastante impacto em um Programa de Pós-Graduação”. Além disso, a pesquisadora destacou a oportunidade única dos alunos do Programa não apenas participarem, mas também apoiarem a organização do evento. “O convívio com pessoas de diferentes lugares do mundo e culturas proporciona um grande amadurecimento”, comentou.</p>



<p>Para Aline Vieira Silva, doutoranda em Ecologia pela Unicamp e tutora no evento, a experiência foi um aprendizado abrangente. “Foi a primeira vez que eu participei de uma organização de um evento deste tamanho e foi bom ter a experiência de acompanhar essa organização não só na parte intelectual, mas de todo o processo que é necessário para fazer um evento dessa escala”, relatou. A troca de ideias entre participantes de diferentes experiências profissionais também foi destaque: “eu tenho experiência de pesquisa com ecologia clássica e vemos pouco essa interação da pesquisa acadêmica com outras áreas como o setor privado e o governo. Está sendo interessante ter essa experiência de discussão e produção de materiais que podem ser úteis não apenas para a academia”, comentou Aline Vieira.</p>



<p><strong>Um encontro global e interdisciplinar</strong></p>



<p>Metade dos participantes da Escola eram brasileiros e metade de outros países do mundo. “Procuramos selecionar os participantes levando em consideração a igualdade de gênero, minorias e etnias, bem como a formação de uma turma com uma rica diversidade de origens, experiências e países”, ressaltou Thomas Lewinsohn.</p>



<p>Para Ezequiel Chimbioputo Fabiano, da Universidade da Namíbia, a Escola trouxe insights diretamente aplicáveis ao seu trabalho com monitoramento de biodiversidade no contexto da Convenção sobre Diversidade Biológica: “os conceitos abordados, tanto teóricos quanto práticos, serão incorporados no meu projeto e nas minhas aulas, enriquecendo a formação dos meus alunos”, disse o jovem-pesquisador.&nbsp;</p>



<p>O evento não apenas visou fortalecer redes de colaboração internacional, mas também incentivou uma abordagem mais inclusiva e prática da ciência da biodiversidade, como comentou Lucas Ferreira Lima, pesquisador colaborador do Instituto de Economia da Unicamp, que pretende avançar com métodos que busquem avaliar os benefícios das pessoas para a natureza. Uma proposta complementar ao conceito de serviços ecossistêmicos, que avalia o inverso: o benefício da natureza para as pessoas. A proposta considera tanto a conexão emocional das pessoas com a natureza (chamada de Biofilia) quanto sua importância para a economia e a sustentabilidade (a Economia Ecológica).&nbsp; “Como resultado desta Escola, juntamente com outros seis pesquisadores do Sri Lanka, Índia e Brasil, estamos propondo um método para avaliar as Contribuições das Pessoas para a Natureza, alinhando as perspectivas da Biofilia e da Economia Ecológica sob a orientação da pesquisadora e palestrante Robin Chazdon da Universidade de Connecticut (EUA)”. Ao reconhecer e promover a conexão entre o homem e a natureza, o grupo propõe que as pessoas possam se tornar atores principais na preservação, restauração e co-gestão de sistemas naturais.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dias 7 a 14 &#8211; Integrando produção de conhecimento e seu uso prático</title>
		<link>https://espca.ib.unicamp.br/dias-7-a-14-integrando-producao-de-conhecimento-e-seu-uso-pratico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ESPCA]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Feb 2025 18:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[Participantes se dividiram em grupos de trabalho durante a segunda semana da Escola São Paulo de Ciência Avançada Co-criando Avaliações de Biodiversidade]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Participantes se dividiram em grupos de trabalho durante a segunda semana da Escola São Paulo de Ciência Avançada Co-criando Avaliações de Biodiversidade</em></p>



<p>Ao longo da segunda semana da SPSAS Biodiversidade, participantes e professores trabalharam em grupos sobre projetos focados em demandas e problemas reais discutidos ao longo da primeira semana de trabalho.</p>



<p>Conheça a seguir os temas escolhidos pelos 11 Grupos de Trabalho da Escola.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Grupo 1 &#8211; Valorização das contribuições das pessoas para a natureza em iniciativas socioeconômicas no Brasil</strong></h4>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-medium"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="300" height="300" src="https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo1-300x300.jpg" alt="" class="wp-image-1777" srcset="https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo1-300x300.jpg 300w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo1-1024x1024.jpg 1024w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo1-150x150.jpg 150w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo1-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></figure></div>


<p>O grupo trabalhará com a valorização das contribuições das pessoas para a natureza na estratégia brasileira de bioeconomia. Segundo os estudos do grupo, apenas 16 países publicaram estratégias de bioeconomia que se dedicam explicitamente a promover a bioeconomia em sua totalidade.</p>



<p>O objetivo é produzir um resumo de política baseado em evidências para sugerir recomendações de políticas inclusivas que valorizem as contribuições dos povos indígenas brasileiros, das comunidades locais e dos pequenos agricultores para a natureza e, ao mesmo tempo, promovam um desenvolvimento justo. </p>



<p>Em particular, o grupo trabalhará nos valores não-materiais que existem na relação entre dois gigantes da Amazônia: o Pirarucu e as comunidades ribeirinhas.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Grupo 2 &#8211; <strong>Contribuições das pessoas para a natureza: uma abordagem biofílica para repensar conservação e manejo</strong></h4>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-medium"><img decoding="async" width="300" height="300" src="https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo2-300x300.jpg" alt="" class="wp-image-1778" srcset="https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo2-300x300.jpg 300w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo2-1024x1024.jpg 1024w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo2-150x150.jpg 150w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo2-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></figure></div>


<p>O segundo grupo também desenvolverá um projeto sobre a Contribuição das Pessoas para a Natureza. Neste caso, com o objetivo de explorar a Biofilia para pensar a conservação da natureza, restauração e gerenciamento de ecossistemas. </p>



<p>Ao reconhecer e promover a conexão entre o homem e a natureza, o grupo propõe que as pessoas possam se tornar atores principais na preservação, restauração e co-gestão de sistemas naturais. O objetivo é criar uma estrutura a ser incorporada à Estrutura Conceitual da IPBES que inclua uma perspectiva que se apoie na Contribuição das Pessoas para a Natureza, para além da Contribuição da Natureza para as Pessoas. </p>



<p>Essa ideia será desenvolvida com base em três estudos de caso na Índia, no Brasil e no Sri Lanka.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Grupo 3 &#8211;</strong> <strong>Desvendando as relações entre ser humano e natureza por meio de uma abordagem baseada em rede</strong></h4>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-medium"><img decoding="async" width="300" height="300" src="https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo3-300x300.jpg" alt="" class="wp-image-1779" srcset="https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo3-300x300.jpg 300w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo3-1024x1024.jpg 1024w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo3-150x150.jpg 150w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo3-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></figure></div>


<p>O grupo tem como objetivo integrar percepções humanas e conhecimento científico para mapeamento das interações entre espécies. A questão que orienta o grupo é: A integração das percepções humanas e das interações ecológicas pode facilitar a cocriação de iniciativas voltadas para a sustentabilidade dos sistemas socioecológicos?</p>



<p>A ideia principal é que as redes socioecológicas, combinadas com as interações ecológicas, podem ser desenvolvidas por meio de um processo de cocriação baseado na troca de conhecimentos e na construção de confiança com as comunidades locais. Para o grupo, esta abordagem pode permitir a visualização e análise de como as perspectivas humanas se relacionam com as interações entre as espécies ao longo do tempo — e, possivelmente, as alteram — e pode servir como primeira etapa para a co-construção entre pesquisadores, comunidades locais e outros atores.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Grupo 4 &#8211;</strong> <strong>Como co-criar estratégias de conservação de polinizadores ao longo de um gradiente de intensidade de uso do solo?</strong></h4>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-medium"><img loading="lazy" decoding="async" width="300" height="300" src="https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo4-300x300.jpg" alt="" class="wp-image-1780" srcset="https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo4-300x300.jpg 300w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo4-1024x1024.jpg 1024w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo4-150x150.jpg 150w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo4-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></figure></div>


<p>O grupo está interessado em estratégias para a co-criação de iniciativa para a conservação de polinizadores ao longo de diferentes gradientes de intensidade de uso da terra. 35% da produção global de alimentos depende da polinização por insetos, mas eles estão ameaçados por distúrbios antropogênicos, como a intensificação da agricultura. Ao longo do gradiente de intensificação agrícola ocorrem diferentes ameaças, e também diferentes arenas de negociação entre as partes envolvidas. Essas pessoas têm motivação/vontade/conhecimento diferentes, por isso é necessário desenvolver estratégias de conservação diferentes. </p>



<p>A ideia do grupo é criar um roteiro para que auxilie na criação de diferentes estratégias. O material é destinado a cientistas, profissionais, agricultores e formuladores de políticas.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Grupo 5 &#8211; Técnicas de monitoramento da biodiversidade para não especialistas: melhorando o envolvimento e o manejo adaptativo na restauração</strong></h4>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-medium"><img loading="lazy" decoding="async" width="300" height="300" src="https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo5-300x300.jpg" alt="" class="wp-image-1781" srcset="https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo5-300x300.jpg 300w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo5-1024x1024.jpg 1024w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo5-150x150.jpg 150w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo5-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></figure></div>


<p>A discussão desse apresentada pelos participantes foi dedicada a indicadores de monitoramento da restauração de ecossistemas. O grupo está particularmente interessado em técnicas de monitoramento da biodiversidade que sejam acessíveis a não especialistas, permitam a sua participação e que possam também aumentar o seu envolvimento na restauração. </p>



<p>O grupo pretende produzir um guia prático para os profissionais da restauração, incluindo critérios para a seleção de indicadores de monitoramento que permitam o envolvimento de não especialistas, exemplos de indicadores para ecossistemas florestais e de terras secas, incluindo definição, relevância para a biodiversidade, métodos de aplicação simples e eventuais limitações.</p>



<p></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Grupo 6 &#8211; Identificação dos desafios no provisionamento da biodiversidade vegetal para ecossistemas não florestais na América do Sul e na África</strong></h4>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-medium"><img loading="lazy" decoding="async" width="300" height="300" src="https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo6-300x300.jpg" alt="" class="wp-image-1782" srcset="https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo6-300x300.jpg 300w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo6-1024x1024.jpg 1024w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo6-150x150.jpg 150w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo6-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></figure></div>


<p>Quais são os desafios para que uma ampla diversidade de plantas esteja disponível para a restauração de ecossistemas nativos não florestais na América do Sul e na África? Esta foi a questão colocada pelo sexta grupo da SPSAS Biodiversidade.</p>



<p>A restauração ecológica é uma solução importante para restaurar a biodiversidade em todo o mundo e certas situações exigem uma restauração assistida de forma moderada a intensa, o que, por sua vez, requer a adição de espécies de plantas por meio de semeadura ou plantio. No entanto, as espécies adicionadas geralmente representam apenas um subconjunto da biodiversidade desejada para um ecossistema restaurado.</p>



<p>O objetivo do grupo é identificar os desafios do fornecimento de uma ampla diversidade de plantas para a restauração e desenvolver uma estrutura que sintetize e organize o conhecimento existente e os principais desafios que precisam ser enfrentados para isso na América do Sul e na África. A ideia é apresentar essa estrutura em um policy brief para formuladores de políticas, governo e gerentes de programas de restauração.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Grupo 7 &#8211; Como incentivar o setor privado a financiar a conservação no Brasil? Um estudo de caso para a criação de planos de ação nacionais</strong></h4>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-medium"><img loading="lazy" decoding="async" width="300" height="300" src="https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo7-300x300.jpg" alt="" class="wp-image-1783" srcset="https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo7-300x300.jpg 300w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo7-1024x1024.jpg 1024w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo7-150x150.jpg 150w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo7-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></figure></div>


<p>O grupo propõe uma questão difícil: como incentivar o setor privado a financiar a conservação? Como resposta, sugere a criação do Green Hub: uma plataforma que conecta financiadores, atores interessados e parceiros estratégicos para implementar projetos de conservação no Brasil. Esses projetos devem estar alinhados com as metas da Convenção sobre a Diversidade Biológica e com os planos estratégicos governamentais existentes, como a Estratégia e Planos de Ação Nacionais de Biodiversidade e o Planos de Ação Nacional para a Conservação das Espécies Ameaçadas de Extinção.</p>



<p>A ideia é que o Green Hub possa fornecer um banco de dados de informações ambientais e políticas que ajude a orientar empresas e investidores para projetos de conservação existentes. O Green Hub também pode auxiliar no monitoramento da implementação de projetos e dos resultados alcançados, além de produzir relatórios para empresas e governos.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Grupo 8 &#8211; Roteiro para identificar oportunidades e desafios da implementação de créditos de biodiversidade na cadeia de suprimento de café na Mata Atlântica do Brasil</strong></h4>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-medium"><img loading="lazy" decoding="async" width="300" height="300" src="https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo8-300x300.jpg" alt="" class="wp-image-1784" srcset="https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo8-300x300.jpg 300w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo8-1024x1024.jpg 1024w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo8-150x150.jpg 150w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo8-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></figure></div>


<p>O oitavo grupo da SPSAS Biodiversidade está interessado em Créditos de Biodiversidade. Um Crédito de Biodiversidade é uma medida baseada em evidências de um resultado positivo em termos de conservação e restauração da biodiversidade. O grupo propõe a criação de uma diretriz para garantir que a biodiversidade seja integrada a instrumentos financeiros sustentáveis e alinhada com as metas “30&#215;30” da  Global Biodiversity Framework.</p>



<p>A ideia é desenvolver essa diretriz alinhando as metas globais e locais de biodiversidade, priorizando locais potenciais para a implementação de atividades que possam gerar resultados positivos de biodiversidade e, em última análise, traduzir-se em créditos de biodiversidade em nível local. Além disso, que esses créditos emitidos tenham métricas que possam ser alinhadas a um mercado global para várias partes interessadas.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Grupo 9 &#8211; Redefinindo a paisagem em métricas para créditos de biodiversidade</strong></h4>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-medium"><img loading="lazy" decoding="async" width="300" height="300" src="https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo9-300x300.jpg" alt="" class="wp-image-1785" srcset="https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo9-300x300.jpg 300w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo9-1024x1024.jpg 1024w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo9-150x150.jpg 150w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo9-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></figure></div>


<p>E as discussões sobre Créditos de Biodiversidade continuam no nono grupo, que tem como objetivo mudar a perspectiva dos projetos de créditos de biodiversidade ao propor a inclusão do contexto da paisagem nos sistemas de monitoramento dos créditos. Para isso, o grupo propõe a avaliação beta-diversidade nas paisagens, ou seja, a variação na composição de espécies entre os locais de uma área geográfica de interesse. </p>



<p>A avaliação das mudanças na beta-diversidade ao longo do tempo foi recentemente adotada por ecólogos que analisam a homogeneização e a diferenciação biótica de uma área, e tem o potencial de avaliar esse efeito no contexto da paisagem (por exemplo, o deslocamento ou o aumento das ameaças) em locais com projetos de restauração e conservação.</p>



<p>O grupo propõe, também, a elaboração de um Policy Brief destinado a profissionais da restauração e tomadores de decisão.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Grupo 10 &#8211; Como melhorar as avaliações de biodiversidade dos projetos de Crédito de Carbono?</strong></h4>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-medium"><img loading="lazy" decoding="async" width="300" height="300" src="https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo10-300x300.jpg" alt="" class="wp-image-1786" srcset="https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo10-300x300.jpg 300w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo10-1024x1024.jpg 1024w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo10-150x150.jpg 150w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo10-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></figure></div>


<p>O décimo grupo continua a pensar sobre a temática de Créditos e biodiversidade mas, desta vez, sobre como melhorar as avaliações de biodiversidade em projetos de Crédito de Carbono.</p>



<p>O grupo propõe uma abordagem estruturada para aprimorar o processo, que inclui a análise de relatórios de monitoramento e inclusão de atributos nos níveis de paisagem, comunidades, ecossistemas e espécies.&nbsp;</p>



<p>Com isso, o grupo pretende garantir que essas iniciativas contribuam genuinamente para a conservação da biodiversidade juntamente com as metas climáticas. Além disso, o oferecimento de uma abordagem padronizada para dar suporte a essas avaliações pode aumentar a transparência e a credibilidade em diversos projetos e regiões. Adicionalmente, isso pode ajudar os desenvolvedores de projetos a melhorar a qualidade de suas atividades, promover a certificação CCB Gold e aumentar o valor dos créditos de carbono.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Grupo 11 &#8211; Promovendo o uso do eDNA para o monitoramento da biodiversidade em regiões tropicais</strong></h4>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-medium"><img loading="lazy" decoding="async" width="300" height="300" src="https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo11-300x300.jpg" alt="" class="wp-image-1787" srcset="https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo11-300x300.jpg 300w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo11-1024x1024.jpg 1024w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo11-150x150.jpg 150w, https://espca.ib.unicamp.br/wp-content/uploads/2025/02/Grupo11-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></figure></div>


<p>O último grupo de trabalho da levanta a seguinte questão: Quão grande é o vazio? Promovendo o uso do eDNA para o monitoramento da biodiversidade nos trópicos.</p>



<p>O objetivo do grupo é promover o uso do eDNA para gerar conhecimento e orientar ações de conservação da biodiversidade nas regiões neo e afrotropicais. O projeto visa ajudar a reduzir o viés taxonômico, incentivar a capacitação e construir relações Sul-Sul e Norte-Sul.</p>



<p>Para isso, o grupo propõe a produção de um Policy Brief para fornecer informações e recomendações aos formuladores de políticas dos governos das regiões neo e afrotropicais sobre o potencial do eDNA como uma abordagem complementar ao monitoramento da biodiversidade e como apoio para a tomada de decisão em conservação.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>“A coprodução não é apenas um método, ela faz parte da descoberta&#8221;: Maria Carmen Lemos sobre a ponte entre ciência e política</title>
		<link>https://espca.ib.unicamp.br/a-coproducao-nao-e-apenas-um-metodo-ela-faz-parte-da-descoberta-maria-carmen-lemos-sobre-a-ponte-entre-ciencia-e-politica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ESPCA]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Feb 2025 22:30:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[Para a cientista política Maria Carmen Lemos, a coprodução não é apenas um método - é um processo transformador em que a ciência e a política evoluem juntas, criando soluções mais eficazes para desafios globais complexos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Para a cientista política Maria Carmen Lemos, a coprodução não é apenas um método &#8211; é um processo transformador em que a ciência e a política evoluem juntas, criando soluções mais eficazes para desafios globais complexos</em></p>



<p>Maria Carmen Lemos, uma mineira de Juiz de Fora, Brasil, é uma voz proeminente no campo da coprodução de conhecimento, um tópico que vem ganhando cada vez mais atenção entre aqueles comprometidos em unir ciência e tomada de decisões. “Meu interesse é entender o que impulsiona o uso do conhecimento científico pelos tomadores de decisão, desde o agricultor, a família, a cidade, o estado, o mundo”, explica a pesquisadora.</p>



<p>Economista formada pela Universidade Federal de Juiz de Fora, com uma breve passagem pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Lemos construiu sua carreira acadêmica nos Estados Unidos. Depois de obter um mestrado e um doutorado em Ciência Política pelo MIT, ela ingressou na Universidade de Michigan em 2002, onde continua a lecionar e agora está se aproximando da aposentadoria.</p>



<p>Ao longo de sua carreira, Lemos fez contribuições significativas como autora principal do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC-AR5) e da Quarta Avaliação Nacional do Clima dos EUA (NCA4). Ela atuou em vários comitês do Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA das Academias Nacionais de Ciências, consolidando ainda mais sua influência no campo. Em 2023, Lemos foi eleita para a Academia Nacional de Ciências, um reconhecimento de suas contribuições impactantes para a ciência e a sociedade.</p>



<p>No Brasil, sua pesquisa se concentrou nas interações complexas entre instituições, comunidades e pesquisadores, especialmente ao abordar os desafios das mudanças climáticas no Nordeste e investigar os impactos ambientais do desastre industrial de Cubatão (SP) em meados da década de 1980. Seu trabalho ajudou a esclarecer a dinâmica socioambiental na interseção da ciência e da tomada de decisões.</p>



<p>Maria Carmen foi entrevistada em 30 de outubro pela ESPCA Co-criando Avaliações de Biodiversidade em São Pedro (SP).</p>



<p><strong>ESPCA Biodiversidade</strong> &#8211; Como a senhora definiria o conceito de coprodução de conhecimento e o que o distingue das abordagens tradicionais da relação entre ciência e tomada de decisões?</p>



<p><strong>Maria Carmen Lemos</strong> &#8211; A coprodução, em sua definição mais ampla, é a relação significativa entre cientistas e não cientistas para produzir conhecimento e ação de forma colaborativa. Em sua forma tradicional, os cientistas são vistos como produtores de conhecimento, enquanto os tomadores de decisão são responsáveis por tomar medidas com base nesse conhecimento.</p>



<p>No modelo de coprodução, entretanto, essas funções não são separadas. Em vez disso, o conhecimento e a ação são criados simultaneamente por meio de um processo iterativo de interação entre os dois. Esse relacionamento promove vários resultados importantes: aumenta a propriedade do conhecimento, melhora a adequação dos dados ao contexto da tomada de decisões e cria confiança entre os atores. Essa confiança, por sua vez, fortalece seu compromisso de promover ações em conjunto.</p>



<p>Nos modelos tradicionais, a ciência produz conhecimento, e os tomadores de decisão usam esse conhecimento para agir. Esse modelo pressupõe uma separação clara: os cientistas realizam suas pesquisas, publicam-nas e os tomadores de decisão as leem para informar suas ações, sem nenhuma interação direta entre os dois.</p>



<p>O modelo de coprodução, entretanto, entrelaça esses processos. Os cientistas ajustam seus conhecimentos com base na interação contínua, e os tomadores de decisão também podem ajustar suas decisões. O processo visa produzir tanto novos conhecimentos quanto novas ações como resultado desse esforço colaborativo.</p>



<p><strong>ESPCA Biodiversidade</strong> &#8211; Quando a coprodução começou a ganhar a atenção de cientistas e tomadores de decisão?&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>Maria Carmen Lemos&nbsp; </strong>&#8211; Vou começar com a coprodução na ciência climática, porque ela ganhou força mais cedo do que em outros campos quando comecei. Agora ela se espalhou por toda a sustentabilidade, incluindo ecologia e engenharia. Começou no final dos anos 80 com esforços como o IPCC, mas no início dos anos 2000, havia mais foco na usabilidade dessa ciência. Por exemplo, o Programa de Pesquisa sobre Mudanças Globais dos EUA usou o termo “ciência utilizável” em seu mandato, mas ninguém sabia realmente o que isso significava na época.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Isso desencadeou tanto a pesquisa quanto a prática de tornar o conhecimento utilizável, abrindo uma nova área de entendimento. Já havia literatura sobre como a ciência é produzida e suas conexões com a pesquisa participativa e a pesquisa-ação, mas essas ideias ainda não haviam sido reunidas. O foco passou a ser entender por que as pessoas não estavam usando a ciência e o que poderia ser feito para mudar isso.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Nos últimos 20 a 30 anos, essa pesquisa se expandiu significativamente. Para mim, ela começou com uma bolsa da NOAA para estudar a previsão climática, que tem paralelos com informações climáticas mais amplas. Meu objetivo sempre foi entender o que impulsiona ou limita o uso do conhecimento científico. Uma descoberta importante foi que a interação entre cientistas e usuários aumenta a probabilidade de o conhecimento ser aplicado, em comparação com os modelos tradicionais de ciência.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>ESPCA Biodiversidade</strong> &#8211; Como as interações entre cientistas e tomadores de decisão podem melhorar o uso do conhecimento científico?</p>



<p><strong>Maria Carmen Lemos </strong>&#8211; Acredito que há evidências convincentes de que interações significativas entre usuários e produtores de ciência fazem a diferença. Essas relações aumentam as chances de dois resultados importantes: o cientista obtém uma melhor compreensão do contexto da tomada de decisão e o tomador de decisão compreende melhor as oportunidades e os limites da ciência.</p>



<p>No entanto, para que isso seja realmente eficaz, ambos os lados devem estar dispostos a mudar. Não pode ser uma situação em que um diz: “Eu quero isso” e o outro responde: “Bem, isso é tudo o que tenho para você”. Nessas conversas, talvez nem sempre se consiga exatamente o que se quer, mas geralmente se consegue o que se precisa. Porque, por meio do diálogo, os dois lados podem descobrir como a ciência se encaixa no contexto e o que pode ser feito para que ela se encaixe melhor.</p>



<p>Então, como podemos fazer com que a ciência se encaixe melhor? Melhor comunicação é uma maneira &#8211; ela melhora o alinhamento. A personalização é outra. O aprimoramento da compreensão também desempenha um papel importante. E, às vezes, não se trata nem mesmo de uma melhor compreensão, mas simplesmente de fornecer informações mais relevantes para preencher a lacuna.</p>



<p><strong>ESPCA Biodiversidade</strong> &#8211; Você poderia compartilhar um exemplo de como os cientistas e os tomadores de decisão navegam nesse processo?</p>



<p><strong>Maria Carmen Lemos </strong>&#8211; Claro. Os modelos climáticos são conhecidos por serem muito incertos. Muitas vezes, os usuários querem saber exatamente o grau de incerteza, mas é muito difícil quantificar isso com precisão. Os cientistas estão trabalhando cada vez mais em maneiras de comunicar melhor a incerteza para que os tomadores de decisão possam fazer escolhas informadas mesmo com informações incompletas. Ao compreender os riscos envolvidos, as pessoas continuarão a tomar decisões com informações incertas. Esse é exatamente o tipo de trabalho em que me concentro.</p>



<p>ESPCA Biodiversidade &#8211; Como a participação, o envolvimento e a coprodução diferem na pesquisa?</p>



<p>Maria Carmen Lemos (MCL) &#8211; A coprodução, como a conhecemos hoje, surgiu depois que o governo dos Estados Unidos enfatizou a necessidade de uma ciência utilizável. Antes disso, havia formas anteriores, como o envolvimento da comunidade em serviços públicos, como as associações de pais e mestres (PTAs), em que os pais ajudam os professores nas tarefas, coproduzindo efetivamente um serviço. Da mesma forma, as comunidades que monitoram dados ecológicos são outro exemplo, em que a colaboração ocorre sem necessariamente produzir uma ação imediata.</p>



<p>A pesquisa participativa, por outro lado, é mais interativa, em que os sujeitos da pesquisa estão envolvidos no processo, como por meio de grupos de foco ou workshops. O objetivo, no entanto, ainda é coletar dados, não coproduzir conhecimento ou ação.</p>



<p>O engajamento é um conceito mais amplo e pode se sobrepor à coprodução e à pesquisa participativa. Na prática, essas abordagens geralmente se entrelaçam, e isso é perfeitamente aceitável. Quando esses termos se tornam muito rígidos, eles podem limitar o potencial do que pode ser alcançado. O ideal é que a coprodução comece no estágio da proposta, com as partes interessadas ajudando a moldar as perguntas da pesquisa e a coletar dados, mas também pode evoluir após a pesquisa, como quando os formuladores de políticas contribuem para a criação de um resumo da política. Trata-se do processo, não apenas da definição.</p>



<p><strong>ESPCA Biodiversidade </strong>&#8211; Como vocês avaliam a eficácia da coprodução na pesquisa e na tomada de decisões?</p>



<p><strong>Maria Carmen Lemos</strong> &#8211; É preciso avaliar. Costumo dizer que se eu tivesse um dólar para cada vez que menciono a avaliação, eu estaria rica! É essencial avaliar porque, sem isso, não é possível orientar os outros ou evitar a repetição de erros. O relacionamento com as partes interessadas, os agricultores ou as comunidades nunca é uma perda de tempo; é valioso, mas há um custo de oportunidade em termos de tempo e recursos.</p>



<p>Para qualquer mudança que queira implementar, você precisa avaliar criticamente o que está fazendo e ser estratégico em seu projeto. Se você gosta de trabalhar com comunidades, isso é importante, mas também precisa reconhecer os desafios do aumento de escala. Você não pode esperar trabalhar com algumas comunidades e depois aplicar esse modelo em todo o mundo. Para aumentar a escala, é preciso coproduzir com os tomadores de decisão em níveis mais altos.</p>



<p>Os pesquisadores que enfrentam desafios globais como perda de biodiversidade, mudança climática, pobreza ou segurança alimentar precisam colaborar mais e entender que cada escala &#8211; comunidade ou governo &#8211; desempenha um papel crucial. Amar um não significa abandonar o outro. Devemos aprender uns com os outros, não criticar ou julgar.</p>



<p><strong>ESPCA Biodiversidade</strong> &#8211; Que conselho você daria aos cientistas que estão considerando o uso de processos de coprodução em suas pesquisas?</p>



<p><strong>Maria Carmen Lemos</strong> &#8211; Há muitas razões para fazer pesquisa, mas ela começa com a identificação da mudança que você deseja fazer e do sistema ou dos atores que deseja influenciar. Entenda o que você deseja alcançar e, em seguida, consulte a literatura para obter orientação &#8211; há uma grande quantidade de experiências com as quais aprender. Seja francamente honesto com relação ao que é realista e por onde começar. Você precisa pensar na coprodução não apenas como um método, mas como parte integrante da sua pesquisa e do processo de descoberta. Não se trata de um apêndice de seu trabalho, mas sim de sua parte central. Porque, tão importante quanto identificar as causas da poluição das praias ou da degradação ambiental, é descobrir as melhores maneiras de lidar com elas. E a coprodução é uma parte fundamental dessa solução.</p>



<p>Portanto, sempre pense na avaliação desde o início &#8211; a coleta de dados é essencial para a avaliação posterior. A paixão é fundamental, mas a racionalidade também. Se você não tem paixão por se envolver com outras pessoas, a coprodução talvez não seja para você. Trata-se de encontrar um equilíbrio entre sua paixão e os aspectos práticos de causar um impacto real.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dia 5 &#8211; Como ciência, políticas públicas e setor privado podem alavancar a conservação da biodiversidade  </title>
		<link>https://espca.ib.unicamp.br/como-ciencia-politicas-publicas-e-setor-privado-podem-alavancar-a-conservacao-da-biodiversidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ESPCA]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Feb 2025 21:35:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[Cobrir lacunas de conhecimento, investir em comunicação científica para apoiar a tomada de decisão e desenvolver novas ferramentas financeiras são alguns dos caminhos apontados por especialistas para impulsionar a preservação da biodiversidade]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Cobrir lacunas de conhecimento, investir em comunicação científica para apoiar a tomada de decisão e desenvolver novas ferramentas financeiras são alguns dos caminhos apontados por especialistas para impulsionar a preservação da biodiversidade.</em></p>



<p>por Paula Drummond</p>



<p>A integração entre ciência, políticas públicas e setor privado surge como caminho essencial para impulsionar a conservação da biodiversidade. Especialistas destacam a necessidade de preencher lacunas de conhecimento, investir em comunicação científica e criar ferramentas financeiras inovadoras para garantir a proteção de espécies e ecossistemas. Durante a Escola São Paulo de Ciência Avançada, realizada em São Pedro (SP), pesquisadores e gestores de 22 países debateram estratégias para alinhar ciência e tomada de decisão, com foco em populações vulneráveis e no papel do setor privado na preservação ambiental.</p>



<p><strong>Conservação às margens das políticas&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p>Cristina Leite-Banks, pesquisadora do Imperial College de Londres (Reino Unido), destacou a importância das populações de espécies que vivem nos limites de sua distribuição geográfica, conhecidas como espécies periféricas. Essas populações, embora possam ser cruciais para a persistência de uma espécie em longo prazo, são particularmente sensíveis a ameaças como o desmatamento e as mudanças climáticas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Segundo a pesquisadora, as populações de borda de distribuição enfrentam condições ambientais mais extremas e apresentam menor diversidade genética, o que as torna mais vulneráveis. Utilizando dados de aves nas Américas, Cristina demonstrou que fatores bióticos, como competição e predação, têm maior influência na sensibilidade dessas populações do que fatores abióticos, como a temperatura. Apesar de sua relevância ecológica, essas populações são frequentemente negligenciadas em pesquisas e políticas públicas. Cristina reforçou a necessidade de estudos mais aprofundados para orientar estratégias de conservação que considerem os desafios únicos dessas espécies.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>Ciência e política: uma parceria essencial&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p>Carlos Scaramuzza, do Instituto Internacional da Sustentabilidade (IIS), destacou o papel crucial da ciência na formulação de políticas públicas de conservação. Ele criticou o caráter reativo da ciência, que muitas vezes é consultada apenas em momentos de crise, resultando em oportunidades perdidas para a implementação de políticas mais eficazes.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Para mudar esse cenário, Scaramuzza defendeu o engajamento proativo de cientistas nos debates políticos desde o início, além da criação de espaços de diálogo e colaboração entre pesquisadores e tomadores de decisão. Ele ressaltou a importância da comunicação científica como ponte entre esses dois mundos, traduzindo conhecimento complexo em informações claras e acessíveis. Outra recomendação foi o fortalecimento de equipes técnicas nos órgãos governamentais, garantindo uma base sólida para decisões sustentáveis e bem fundamentadas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>O papel do setor privado</strong>&nbsp;&nbsp;</p>



<p>No setor privado, instrumentos financeiros inovadores são apontados como ferramentas essenciais para estimular a proteção ambiental. Um exemplo são os Créditos de Biodiversidade, mecanismo que avalia os impactos positivos e negativos na biodiversidade gerados por diferentes usos da terra. Para obter essa certificação, é necessário cumprir critérios específicos que garantam benefícios ambientais.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>“Apesar das discussões ainda estarem em estágio inicial, acredito no potencial dos Créditos de Biodiversidade como uma ferramenta poderosa para restaurar e proteger a natureza”, afirmou Roberto Klabin, fundador do Refúgio Ecológico Caiman, localizado no Pantanal. A propriedade combina atividades como pecuária extensiva, ecoturismo, pesquisa e preservação ambiental. Klabin destacou, no entanto, a necessidade de maior clareza sobre métricas e precificação para viabilizar a adoção em larga escala desse mecanismo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>Sobre a Escola São Paulo de Ciência Avançada</strong>&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Organizada pelo Programa de Pós-graduação em Ecologia da Unicamp, com apoio da Fapesp, a Escola São Paulo de Ciência Avançada “Co-criando Avaliações de Biodiversidade” reuniu 57 participantes de 22 países, incluindo pós-graduandos, pesquisadores em início de carreira, gestores e técnicos da área ambiental. Durante 14 dias em São Pedro (SP), os participantes discutiram formas de integrar conhecimento acadêmico e prático sobre biodiversidade, com o objetivo de subsidiar tomadas de decisão mais eficazes e sustentáveis.&nbsp;&nbsp;</p>
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		<title>DIA 4 &#8211; A reversão do curso da degradação dos ecossistemas passa pela restauração ecológica</title>
		<link>https://espca.ib.unicamp.br/a-reversao-do-curso-da-degradacao-dos-ecossistemas-passa-pela-restauracao-ecologica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ESPCA]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Feb 2025 21:25:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[A restauração de ecossistemas é uma grande oportunidades para as florestas tropicais, mas, para os corais, é preciso avançar na ciência da restauração antes que seja tarde]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>A restauração de ecossistemas é uma grande oportunidades para as florestas tropicais, mas, para os corais, é preciso avançar na ciência da restauração antes que seja tarde</em></p>



<p>Por Paula Drummond</p>



<p>A restauração de ecossistemas é essencial para recuperar serviços ecossistêmicos e biodiversidade em ambientes terrestres e marinhos. Nas florestas tropicais, a regeneração natural se destaca como uma solução eficaz e econômica para restaurar grandes áreas degradadas, ajudando na captura de carbono e no suporte à vida selvagem. Nos ambientes marinhos, entretanto, a restauração de recifes de corais ainda é um desafio, sobretudo em razão do aquecimento dos oceanos.&nbsp; Os corais têm papel na proteção costeira, suporte à pesca e abrigo para diversas espécies. Sua restauração requer múltiplas ações incluindo a gestão da zona costeira e marinha que envolvam despoluição, controle de espécies exóticas, entre outras.&nbsp;</p>



<p>Seja no mar ou na terra, a restauração ecológica é mais eficaz quando combinam ciência, políticas públicas e engajamento comunitário para garantir resiliência e sustentabilidade a longo prazo.</p>



<p><strong>Potencial da Regeneração Florestal Global</strong></p>



<p>A regeneração natural das florestas tropicais oferece uma oportunidade única para restaurar a biodiversidade nativa, funções florestais e serviços ecossistêmicos, afirma Robin Chazdon, da Universidade de Connecticut. Estudos de longo prazo mostram que as florestas possuem mecanismos próprios de recuperação, acumulados ao longo de milhões de anos. No entanto, a trajetória de sucessão florestal pode variar bastante dependendo de fatores como o uso anterior do solo, as condições da paisagem e as características das espécies envolvidas.</p>



<p>Modelos preditivos baseados em dados de 2020 sugerem que 215 milhões de hectares de florestas podem se regenerar globalmente até 2030. Brasil e Indonésia representam um terço desse potencial.</p>



<p>Além de ser eficaz em termos de custos, a regeneração natural pode trazer benefícios econômicos significativos, como o armazenamento de 23,4 Gt de CO₂ ao longo de 30 anos. No Brasil, onde o potencial de regeneração natural é o maior do mundo, essa abordagem pode ser expandida com o auxílio de métodos de regeneração assistida, que possibilitariam a restauração de 18,8 milhões de hectares adicionais até 2035. Essa estratégia reduz em até 77% os custos de implementação em comparação ao plantio direto de árvores. No entanto, para desbloquear esse potencial, é fundamental entender como diferentes táxons e espécies, especialmente as nativas e ameaçadas, se recuperam ao longo do tempo, além de mapear áreas com maior viabilidade para regeneração.</p>



<p><strong>A Regeneração Natural na Restauração de Ecossistemas Florestais Brasileiros</strong></p>



<p>A regeneração natural das florestas é reconhecida pela legislação brasileira como uma estratégia válida de restauração, mas ainda há lacunas e contradições a serem superadas. Embora políticas públicas como o PLANAVEG reconheçam a importância do tema, a definição de regeneração natural não está formalizada na legislação, e indicadores amplamente utilizados carecem de valores de referência.&nbsp;</p>



<p>Para enfrentar esses desafios, o projeto Regenera (SinBiose/Cnpq) analisou 16 instrumentos legais aplicados ao longo de 17 anos na Amazônia brasileira. “Esse esforço resultou na revisão do conceito de ‘integridade ecológica’, definido como a capacidade de um sistema ecológico de sustentar uma comunidade de organismos com composição, diversidade e organização funcional comparáveis a habitats naturais da mesma região e classe de idade”, explicou Catarina Jakovac, da Universidade Federal de Santa Catarina e coordenadora do projeto Regenera.</p>



<p>Com base em dados de 448 inventários florestais cobrindo 23 locais e mais de 150 mil árvores, foram desenvolvidos indicadores e valores de referência para monitorar a qualidade ecológica das florestas em regeneração, como biomassa, área basal e riqueza de espécies. Esses indicadores permitem qualificar a regeneração florestal e avaliar sua integridade ecológica em diferentes contextos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>Corais sob ameaça</strong></p>



<p>Os recifes de coral funcionam como &#8220;florestas submersas&#8221;, abrigando uma rica biodiversidade e desempenhando um papel crucial nos ecossistemas marinhos. “Os corais estão sob ameaça de pesca excessiva, poluição e mudanças climáticas, especialmente o aquecimento dos oceanos e ondas de calor, que provocam o branqueamento e morte dos corais”, explica Guilherme Longo, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. No Brasil, a composição de recifes de corais ao longo de sua costa varia bastante de norte a sul, sendo os corais da região nordeste os mais vulneráveis às mudanças climáticas.&nbsp;</p>



<p>A maior parte dos esforços globais está concentrada no Pacífico e no Caribe, focando principalmente em corais ramificados, que não ocorrem na costa brasileira. Além disso, o crescimento desses organismos é lento, e os experimentos geralmente envolvem poucas espécies. O custo também é um obstáculo: restaurar apenas 10.000 m² pode custar até US$ 4 milhões.</p>



<p>Mesmo com esse investimento, há fatores incontroláveis, como ondas de calor oceânicas, que podem comprometer todo o esforço.&nbsp;</p>



<p>“A restauração de corais exige uma base científica sólida. Sem pesquisa, as ações de restauração correm o risco de se tornarem ilusórias, sem impacto real a longo prazo”, alerta Longo. “Além disso, precisamos integrar ciência, sociedade e políticas públicas para proteger os recifes e os serviços ecossistêmicos que oferecem”, finaliza o pesquisador.</p>



<p><strong>Engajamento como estratégia</strong></p>



<p>Letícia Couto-Garcia, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), enfatiza a importância do engajamento de diferentes partes interessadas nos esforços de restauração ecológica, com destaque especial para o Brasil. Ela aponta os desafios para alcançar as metas de restauração, como os interesses conflitantes e a falta de comunicação entre cientistas, políticos, comunidades locais e grupos indígenas, e defende uma abordagem colaborativa que integre todos esses atores.</p>



<p>Um aspecto central que a pesquisadora destaca é a valorização do conhecimento tradicional, ressaltando a necessidade de os cientistas aprenderem com as comunidades indígenas para enriquecer as práticas de restauração.&nbsp;</p>



<p>Um exemplo concreto vem da gestão indígena do fogo em regiões como as savanas brasileiras. Na Terra Indígena Kadiwéu, brigadas formadas por indígenas, com apoio governamental, utilizam técnicas controladas para prevenir e combater incêndios. Um estudo analisando 18 anos de dados revelou que essas práticas não apenas reduzem a frequência e a intensidade dos incêndios, mas também mitigam os impactos climáticos nas áreas queimadas, demonstrando a eficácia desse manejo na preservação do meio ambiente. Couto-Garcia também destaca a necessidade de integrar esse conhecimento tradicional às políticas públicas para aprimorar as estratégias de gestão ambiental. Por fim, ela ressalta o papel fundamental das mulheres nesses esforços, sublinhando a importância da igualdade de gênero na restauração ecológica.</p>



<p>O Projeto Regenera também relata uma experiência de coprodução de conhecimento em oficinas imersivas com tomadores de decisão como uma decisão essencial para integrar a ciência às políticas públicas. O resultado está retratado em <a href="https://www.gov.br/cnpq/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programas/sinbiose-1/pdfs/brief_regenera-port-tela.pdf">Policy Brief</a>, <a href="http://regenera-amaz.pdbff.org.br/">notas técnicas e um glossário</a> sobre regeneração natural&nbsp; com o intuito de colocar essa estratégia de restauração no âmbito das políticas públicas para a Amazônia. “Conseguimos até o momento informar como e onde a regeneração natural natural pode servir como estratégia para a restauração de ecossistemas.&nbsp; Ainda não vimos os indicadores serem amplamente aplicados e sabemos que ainda podemos aprimorá-los. Mas antes um óculos embaçado do que nenhum óculos” compara Catarina Jakovac.</p>



<p>É por meio das redes sociais que Guilherme Longo engajou uma iniciativa de ciência cidadã. #DeOlhonosCorais existe desde 2018 no Instagram e convida sobretudo mergulhadores a postarem fotos de corais e sua localização usando a hashtag do projeto. “No começo foi uma experiência difícil, outra linguagem, mas, aprendemos como funcionam as regras [do Instagram] e jogamos o jogo. Tivemos resultados impressionantes”. Foi por meio de uma foto de um cientista cidadão que o estado do Rio Grande do Norte teve a primeira notificação do coral-sol, uma espécie invasora, que ameaça a biodiversidade de corais da costa brasileira. “Com esta informação, o órgão estadual do meio ambiente do Rio Grande do Norte [IDEMA] iniciou um programa de controle da espécie invasora na costa potiguar” , completa Guilherme Longo.</p>



<p><strong>Sobre a Escola São Paulo de Ciência Avançada “Cocriando Avaliações de Biodiversidade”</strong></p>



<p>Organizada pelo Programa de Pós-graduação em Ecologia da Unicamp, com apoio da Fapesp, a Escola São Paulo de Ciência Avançada “Co-criando Avaliações de Biodiversidade” reuniu 57 participantes de 22 países de quatro continentes, entre pós-graduandos, pesquisadores em início de carreira, gestores e técnicos da área ambiental. Os participantes passaram 14 dias em São Pedro (SP) discutindo formas de integrar conhecimento acadêmico e prático sobre biodiversidade para subsidiar tomadas de decisão.</p>
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		<title>DIA 3 &#8211; Qual a forma mais adequada para medir funções e serviços ecossistêmicos? </title>
		<link>https://espca.ib.unicamp.br/dia-3-qual-a-forma-mais-adequada-para-medir-funcoes-e-servicos-ecossistemicos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ESPCA]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 31 Oct 2024 14:47:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[Entender como se dá a complexa relação entre função e serviços ecossistêmicos ainda requer aprimorar modelos e combinar abordagens]]></description>
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<p><em>Entender como se dá a complexa relação entre função e serviços ecossistêmicos ainda requer aprimorar modelos e combinar abordagens</em></p>



<p>Por Paula Drummond</p>



<p>Os ecossistemas realizam processos naturais que sustentam a vida no planeta e geram benefícios diretos ou indiretos para o bem-estar humano, como a produção de alimentos e a regulação do clima. As funções ecossistêmicas referem-se às atividades e processos naturais realizados por organismos e ecossistemas, como a ciclagem de nutrientes, a fotossíntese, a formação de solo e a polinização. Já os serviços ecossistêmicos são os benefícios diretos ou indiretos derivados dessas funções, como a produção de alimentos, a regulação do clima, a purificação da água e o fornecimento de matérias-primas.&nbsp;</p>



<p>Para compreender melhor a conexão entre essas funções e serviços, pesquisadores destacam abordagens como o uso de bromélias como modelos em ecossistemas tropicais, o papel do solo e seu microbioma e a participação comunitária em zonas costeiras. A integração de conhecimentos científicos e tradicionais emerge como ferramenta crucial para orientar políticas de conservação sustentável.</p>



<p><strong>Bromélias como modelos de ecossistemas</strong></p>



<p>O monitoramento de mudanças ambientais em ecossistemas requer estratégias que integrem diversidade funcional e considerem as peculiaridades locais, especialmente em ambientes tropicais, explicou Daiane Srivastava, University of British Columbia. A pesquisadora ilustrou o tema por meio de sistemas modelo baseado em bromélias.&nbsp;</p>



<p>As bromélias são plantas cujas as folhas possibilitam a armazenar água e formar “piscinas” em seu interior. Isto transforma cada planta em um mini-ecossistema abrigando animais, algas, bactérias e fungos. A matéria orgânica que cai no tanque é reciclada e pode ser usada pela própria planta e por outros organismos, por isso, podem ser consideradas um bom modelo para estudar o funcionamento de ecossistemas em diferentes condições.&nbsp;</p>



<p>O estudo apresentado por Srivastava avaliou 1.046 bromélias em 26 locais no continente americano e o resultado foi que estes ecossistemas têm respostas que variam conforme o local. Por exemplo, a diversidade dos invertebrados foi mais sensível às alterações na precipitação do que sua biomassa total. Ou seja, a biomassa permanece estável, ainda que a composição de espécies mude. Essas variações estão relacionadas à forma como as bromélias armazenam água e à composição das espécies em cada local, destacando a dificuldade de estabelecer limites gerais para o funcionamento seguro dos ecossistemas.</p>



<p>Embora essas respostas sejam influenciadas por contingências geográficas, elas podem ser previstas por regras baseadas em fatores como a forma que armazenam água, número de espécies que desempenham papéis semelhantes no ecossistema e características geográficas. Isso sugere que, mesmo em ecossistemas complexos, como os tropicais, é possível generalizar padrões de resposta ambiental se conhecermos essas regras.&nbsp;</p>



<p>No entanto, Srivastava coloca alguns desafios para o monitoramento de ecossistemas tais como “quais métricas de diversidade funcional, taxonômica, interativa ou filogenética são mais adequadas para prever serviços ecossistêmicos? Como garantir que estamos medindo as características corretas para conservação? E será que a diversidade funcional é uma alternativa mais eficaz do que a taxonômica nos trópicos?” Essas questões reforçam a importância de conectar escalas espaciais e funcionais para orientar políticas de conservação e estratégias de manejo.</p>



<p><strong>Serviços ecossistêmicos invisíveis</strong></p>



<p>Os solos desempenham um papel essencial no fornecimento de serviços ecossistêmicos, sustentando cerca de 95% da produção global de alimentos. Apesar de sua importância, estima-se que apenas 1% das espécies de microrganismos do solo sejam conhecidas. A biodiversidade do solo é crucial não apenas para produzir alimentos, mas também para processos como a ciclagem de nutrientes, o controle biológico e a biorremediação.</p>



<p>Segundo George Brown, da Embrapa Florestas, os serviços ecossistêmicos associados ao solo estão avaliados em mais de <a href="https://www.researchgate.net/profile/Christine-Mccullum-Gomez/publication/239032961_Economic_and_Environmental_Benefits_of_Biodiversity/links/572e7df708aee022975a60e5/Economic-and-Environmental-Benefits-of-Biodiversity.pdf">1 trilhão de euros anuais</a>, com destaque para a reciclagem de matéria orgânica, que representa 50% desse valor. Apesar disso, o Brown chama atenção que o diagnóstico global de biodiversidade e serviços ecossistêmicos da Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos &#8211; IPBES de 2019 não abordou essa importante contribuição. Além disso, uma recente enquete global da FAO (Organização Mundial para a Agricultura e Alimentação) das Nações Unidas mostrou que poucos países têm inventários ou programas de monitoramento específicos para a biodiversidade do solo. Uma exceção é o projeto&nbsp; <a href="https://www.globalsoilbiodiversity.org/blog-beneath-our-feet/2022/10/13/soilfauna-project-how-human-activities-impact-soil-macrofauna-communities-and-how-it-relates-to-primary-productivity">sOilFauna</a>,, uma iniciativa global que mantém um banco de dados de fauna de solo.</p>



<p>Composta por animais microscópicos como a microfauna (nematoides, tardígrados) e a mesofauna (ácaros, colêmbolos), até os grandes invertebrados da macrofauna (formigas, cupins, minhocas, besouros, lacraias, aranhas, larvas diversas), e os vertebrados da megafauna (tatus, toupeiras), os animais do solo incluem mais de meio milhão de espécies no mundo. Muitos deles são bioindicadores promissores que respondem rapidamente a mudanças ambientais, e podem ser utilizados para avaliar a fertilidade, os níveis de contaminação, os efeitos de práticas de manejo, e os impactos da perturbação ambiental. Além de serem fáceis de coletar e identificar, possuem alta densidade e biomassa, especialmente em regiões tropicais, onde insetos sociais dominam. Métodos padronizados já estão disponíveis, facilitando o uso desses bioindicadores em diferentes sistemas de uso da terra. O reconhecimento de sua funcionalidade pode impulsionar ações globais para proteger a biodiversidade do solo e maximizar seus serviços ecossistêmicos, fundamentais para o futuro sustentável do planeta.</p>



<p>Já os microrganismos do solo têm um papel conhecido para a melhoria da saúde e nutrição das lavouras agrícolas. O caso mais emblemático é das bactérias fixadoras de nitrogênio. O chamado microbioma do solo compreende a totalidade dos microrganismos, seus genomas e funções em um determinado ambiente, incluindo bactérias, fungos, arqueias, protozoários e vírus. A diversidade destes organismos impressiona: cada 1 grama de solo pode conter até 10⁹ células microbianas. Esse ecossistema invisível desempenha papéis críticos na ciclagem de nutrientes, na supressão de doenças, na estruturação do solo e na purificação da água. “Em sistemas agrícolas, práticas como o plantio direto, a adubação verde, rotação de culturas, compostagem e integração lavoura-pecuária-floresta podem aumentar a diversidade microbiana, contribuindo para a sustentabilidade, a mitigação de emissões de gases de efeito estufa e a resiliência do ecossistema”, explica Lucas Medes, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (CENA/USP).</p>



<p>Por outro lado, as mudanças no uso da terra afetam profundamente o microbioma, afirma Mendes. Um estudo comparando solos de floresta e pastagem mostrou que solos florestais apresentam maior metabolismo de nitrogênio e metano, enquanto os de pastagem liberam mais metano e óxido nitroso.</p>



<p>Soluções baseadas no microbioma também têm se mostrado promissoras na restauração ecológica e na agricultura. Em experimentos, maior diversidade microbiana foi associada ao melhor crescimento da soja e uma menor infecção por nematóides, evidenciando o potencial do manejo microbiano na promoção de sistemas mais produtivos e sustentáveis.</p>



<p><strong>Participação comunitária</strong></p>



<p>Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico da USP, destaca a complexidade dos ecossistemas costeiros e a necessidade de abordagens holísticas para sua conservação. Ele aponta os desafios associados ao estudo da biodiversidade marinha costeira, que exige métodos de pesquisa diversificados, incluindo o uso de conhecimentos tradicionais. Segundo Turra, compreender os diferentes ambientes das zonas costeiras, bem como os processos ecológicos e as respostas às pressões humanas, é essencial para a formulação de políticas e planos de ação eficazes. Nesse contexto, a integração entre ciência e sociedade, por meio de processos participativos, é fundamental para ampliar o entendimento sobre os serviços ecossistêmicos e enfrentar ameaças que afetam esses ambientes.</p>



<p>Um exemplo é o <a href="https://www.io.usp.br/images/noticias/PLDS2016_ebook.pdf">Plano Local de Desenvolvimento da Baía do Araçá</a>, em Ubatuba (SP), de 2016, a partir de discussões sobre os impactos de uma possível ampliação do Porto de São Sebastião. O documento resultou de um esforço coletivo envolvendo comunidades locais, instituições de pesquisa, setor privado e órgãos públicos. Esse plano é uma demonstração de como a participação comunitária pode ser catalisadora de soluções sustentáveis e adaptadas às realidades locais. Ele também menciona o Diagnóstico Brasileiro Marinho-Costeiro da <a href="https://www.bpbes.net.br/">Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos</a>, que inclui um capítulo escrito pela comunidade, mostrando o poder das abordagens colaborativas.&nbsp;</p>



<p>Entre os desafios apontados está a necessidade de revelar, de forma participativa, os padrões espaciais não lineares da biodiversidade marinha e dos serviços ecossistêmicos em praias. Para isso, Turra sugere o uso de cenários e planos de ação que considerem múltiplos usos, combatam ameaças e promovam o desenvolvimento sustentável.</p>



<p><strong>Sobre a Escola São Paulo de Ciência Avançada “Cocriando Avaliações de Biodiversidade”</strong></p>



<p>Organizada pelo Programa de Pós-graduação em Ecologia da Unicamp, com apoio da Fapesp, a Escola São Paulo de Ciência Avançada “Co-criando Avaliações de Biodiversidade” reuniu 57 participantes de 22 países de quatro continentes, entre pós-graduandos, pesquisadores em início de carreira, gestores e técnicos da área ambiental. Os participantes passaram 14 dias em São Pedro (SP) discutindo formas de integrar conhecimento acadêmico e prático sobre biodiversidade para subsidiar tomadas de decisão.</p>
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		<title>DIA 2 &#8211; Avaliar eficácia de estratégias de conservação da biodiversidade requer múltiplas abordagens</title>
		<link>https://espca.ib.unicamp.br/avaliar-eficacia-de-estrategias-de-conservacao-da-biodiversidade-requer-multiplas-abordagens/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ESPCA]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Oct 2024 19:02:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[Integrar ciência, saberes locais e tecnologias avançadas é essencial para proteger a biodiversidade e enfrentar os impactos das atividades humanas no meio ambiente.]]></description>
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<p><em>Integrar ciência, saberes locais e tecnologias avançadas é essencial para proteger a biodiversidade e enfrentar os impactos das atividades humanas no meio ambiente.</em></p>
<p><br />Por Paula Drummond</p>
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<p>A avaliação e aferição da eficácia de estratégias de conservação são etapas cruciais para garantir que as ações destinadas à proteção da biodiversidade e dos ecossistemas alcancem os resultados esperados. Essas avaliações medem o impacto das iniciativas de conservação em termos ecológicos, sociais e econômicos, e ajudam a identificar práticas que podem ser ajustadas ou replicadas em outros contextos.</p>
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<p><strong>Redes de interação ecológica e novas tecnologias no campo</strong></p>
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<p>O tema das interações ecológicas foi abordado por Mathias Pires, da Universidade Estadual de Campinas, que destacou a importância de compreender como as espécies interagem para mitigar os impactos da extinção funcional. Esse fenômeno, caracterizado pela perda de funções ecossistêmicas de espécies, é agravado pela desigualdade nos levantamentos de dados entre regiões. </p>
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<p>Segundo o pesquisador, a extinção funcional é uma realidade crescente em diferentes continentes, evidenciada pela queda de índices de abundância populacional. &#8220;Para detectar e mitigar o impacto da extinção funcional, é fundamental entender como as espécies interagem entre si e a diversidade de interações se perde de maneira mais rápida do que o desaparecimento das espécies em si&#8221;, explica Pires. A perda de habitats, como as florestas, reduz drasticamente o alcance das interações ecológicas, como observado nas ilhas da Usina Hidrelétrica de Balbina, no rio Uatumã, localizada na parte nordeste do Estado do Amazonas, no município de Presidente Figueiredo. Estudos com câmeras-trap revelaram uma abundância animal elevada, mas com interações limitadas. As ilhas menores, por exemplo, não conseguem sustentar redes complexas de interações, “a diminuição nas interações pode ocorrer porque algumas espécies já não existem mais naquele local ou restaram poucos representantes nas ilhas, o que diminui a chance de que os animais que poderiam interagir se encontrem”, reforça Pires, como consequência, há a redução das redes de interação ecológica, afetando tanto a biodiversidade quanto os serviços ecossistêmicos.</p>
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<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Segundo Cristina Banks-Leite, do Imperial College London (Reino Unido), existe um horizonte de possibilidades trazidas com a inteligência artificial e outros avanços computacionais na conservação. Ela destacou ferramentas inovadoras que avaliam quanto habitat é necessário para preservar a biodiversidade, combinando critérios de relevância biológica, praticidade e certificabilidade. Além disso, apontou o potencial do monitoramento acústico para identificar espécies, avaliar condições de saúde animal e até explorar formas de comunicação com os animais.  </p>
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<p><strong>Monitoramento comunitário</strong></p>
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<p>O Monitoramento Ambiental Territorial Independente (MATI), uma experiência comunitária que monitora os impactos da operação de Belo Monte na Volta Grande do Xingu, é um coletivo, composto por cientistas locais e acadêmicos no qual avaliam florestas alagáveis, dinâmicas de pesca e a piracema. “É fundamental que os pesquisadores convivam e escutem as comunidades locais para evitar reproduzir uma ciência eurocêntrica”, afirma Camila Ritter, do Instituto Juruá e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). </p>
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<p>Um exemplo de co-criação é o monitoramento do pirarucu, cuja contagem dos peixes é baseada em sua respiração, técnica aprendida com a comunidade, e validada cientificamente e adotada como metodologia oficial pelo Ibama.  </p>
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<p>Os caminhos para a construção de uma ciência engajada com demandas de outros atores envolvidos na conservação da biodiversidade, como a proposta por Camila Ritter,  requer dedicação, tempo e, sobretudo, estar disposto a ouvir. “É preciso interagir para mudar nossa visão”, diz Joice Ferreira, da Embrapa Amazônia Oriental. A pesquisadora é uma das lideranças da Rede Amazônia Sustentável (RAS) que já faz pesquisa há mais de 20 anos na Amazônia. “Nossa pesquisa no início era muito centrada na academia, hoje não fazemos nada sem interação com as comunidades locais”, explica Joice Ferreira.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p>A pesquisadora destacou a importância da avaliação remota da paisagem e dos dados históricos para entender os impactos do desmatamento na biodiversidade em florestas tropicais. A experiência da RAS na avaliação de diversas dimensões da biodiversidade incluindo homogeneização biótica, dispersão de plantas, taxas de predação e características acústicas. &#8220;Em florestas submetidas a distúrbios antropogênicos, a perda de valor de conservação é evidente, indicando que a degradação pode dobrar os impactos negativos na biodiversidade, causando uma ‘dupla degradação’ e afetando profundamente a vida animal e vegetal dessas regiões&#8221;, explica a pesquisadora.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
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<p>Joice Ferreira destaca ainda que, para ampliar o impacto da ciência e romper bolhas sociais, a interação entre a ciência e a sociedade se torna essencial, principalmente no contato com agricultores e comunidades locais. Exemplos disso são os &#8220;laboratórios vivos&#8221;, onde experimentos socioecológicos são realizados em territórios específicos para o planejamento participativo, integrando o conhecimento indígena local e reconhecendo a agrofloresta como uma alternativa de restauração que equilibra conservação e interesse comunitário. </p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Sobre a Escola São Paulo de Ciência Avançada “Cocriando Avaliações de Biodiversidade”</strong></p>
<p>Organizada pelo Programa de Pós-graduação em Ecologia da Unicamp, com apoio da Fapesp, a <a href="https://espca.ib.unicamp.br/">Escola São Paulo de Ciência Avançada “Co-criando Avaliações de Biodiversidade”</a> reuniu 57 participantes de 22 países de quatro continentes, entre pós-graduandos, pesquisadores em início de carreira, gestores e técnicos da área ambiental. Os participantes passaram 14 dias em São Pedro (SP) discutindo formas de integrar conhecimento acadêmico e prático sobre biodiversidade para subsidiar tomadas de decisão.</p>
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		<title>DIA 1 &#8211; Começa a ESPCA Biodiversidade!</title>
		<link>https://espca.ib.unicamp.br/dia-1-28-de-outubro-de-2024/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ESPCA]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Oct 2024 14:17:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[Começou a Escola São Paulo de Ciência Avançada “Co-criando avaliações de biodiversidade”!]]></description>
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<p>Começou a Escola São Paulo de Ciência Avançada “Co-criando avaliações de biodiversidade”.&nbsp; Foram mais de 450 inscrições que resultaram na seleção de 57 participantes vindos de 22 países em quatro continentes. São pós-graduandos, pesquisadores em início de carreira, gestores e técnicos da área ambiental que estarão reunidos nos próximos 14 dias em São Pedro (SP) para discutir como tornar o conhecimento acadêmico sobre biodiversidade mais prático para a tomada de decisão.</p>



<p>O dia iniciou com apresentações de Mariana Cabral (USP) sobre a Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP) e sua relevância no financiamento de pesquisas no Estado de São Paulo e no Brasil. Cabral apresentou as linhas de fomento tanto para internacionalização da pesquisa quanto para biodiversidade, com especial destaque para o Programa Biota/Fapesp que completou 25 anos. Ao longo deste período, o Programa Biota abarcou 384 projetos que, até o momento, incluíram mais de 4 mil pesquisadores e de 6 mil publicações (entre artigos e capítulos de livro). Por fim, Mariana Cabral apresentou o projeto Biota Síntese, que reúne pesquisadores, gestores e sociedade civil com o objetivo de subsidiar políticas públicas voltadas à sustentabilidade em áreas urbanas e rurais do&nbsp; Estado de São Paulo. Desde 2022 o projeto já gerou <a href="https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/series/Biota">três notas técnicas</a>: sobre biomassa de carbono no estado, sobre diferentes arranjos financeiros para o financiamento da restauração de ecossistemas e o desenvolvimento de <a href="https://www.biota.org.br/biota-sintese-faz-sua-primeira-contribuicao-em-politicas-publicas/">estratégias para a implementação do Plano de Ação Climática</a> do estado.&nbsp;</p>



<p>Marisa Mamede (CNPq) apresentou as iniciativas em biodiversidade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência nacional de financiamento à pesquisa e suas iniciativas no financiamento da pesquisa ambiental.&nbsp; O programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD) completou 27 anos. Ao longo deste período, o PELD foi se aprimorando incluindo aspectos relacionados à gestão de dados e às contribuições diretas para a gestão ambiental .&nbsp; Além disso, ao longo dos anos, foi identificada a necessidade de se criar uma iniciativa para produzir sínteses do conhecimento já produzido no país. Assim nasce o Centro de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos &#8211; O SinBiose. O SinBiose foi criado para tratar de problemas complexos e interconectados como a emergência climática, a perda de biodiversidade, a soberania alimentar e as doenças tropicais negligenciadas. Ao fim, Marisa Mamede destacou alguns dos&nbsp; desafios da criação de um centro de síntese como este, que busca trabalhar na inter e transdisciplinaridade, em especial, o papel das agências de financiamento na promoção da cocriação e no incentivo à tomada de decisões baseadas em evidências.</p>



<p>Rodolfo Dirzo (Universidade de Stanford, EUA) discorreu sobre o tema &#8220;Biodiversidade no Antropoceno – Consequências para Interações Bióticas e o Bem-Estar Humano&#8221;, explorando as conexões entre biodiversidade, interações ecológicas e o bem-estar das sociedades humanas em uma era marcada pelo impacto humano. Dirzo explorou diversos aspectos relacionados à defaunação e como este efeito reverbera em todo o ecossistema. Um exemplo marcante apresentado pelo pesquisador envolve ratos e coqueiros de Atol de Palmyra no Pacífico Central. A invasão de ratos e de coqueiros na ilha gerou uma cascata de efeitos negativos na composição das espécies nativas, impactando a estrutura da floresta local e os locais de pouso de aves, que não nidificam nessas árvores. A defaunação, por consequência, afetou negativamente os ecossistemas costeiro e marinho.</p>



<p>O dia encerrou com a apresentação de Thomas Lewinsohn, coordenador da Escola, sobre as expectativas para este período. Para o pesquisador, há um desencontro entre a produção de conhecimento e seu uso prático, sendo que uma das propostas centrais da Escola é promover uma integração desses conhecimento, aprimorando o alinhamento entre criação e aplicação prática das informações. Para isso, Thomas Lewinsohn ressalta a importância de criar um ambiente colaborativo, onde as pessoas possam trocar ideias livremente e trabalhar juntas, sendo essencial que as percepções obtidas sejam aplicadas em problemas reais, que as experiências sejam compartilhadas e que novas parcerias sejam formadas. Além disso,  o pesquisador frisou que o conhecimento gerado ao longo da Escola deve ser organizado com uma linguagem prática e formatos que facilitem seu uso e entendimento para todos os envolvidos.<br><br><strong>Foto:</strong> Studio ArtVisão</p>
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		<title>Escola de Ciência Avançada sobre Biodiversidade está com inscrições abertas</title>
		<link>https://espca.ib.unicamp.br/escola-de-ciencia-avancada-sobre-biodiversidade-esta-com-inscricoes-abertas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ESPCA]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Feb 2024 11:01:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://espca.ib.unicamp.br/?p=1481</guid>

					<description><![CDATA[A Escola será realizada em São Pedro, SP, de 27 de outubro a 8 de novembro. Serão selecionados 60 pós-graduandos jovens pesquisadores e técnicos ambientais do Brasil e do exterior]]></description>
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<p><em>A Escola será realizada em São Pedro, SP, de 27 de outubro a 8 de novembro. Serão selecionados 60 pós-graduandos jovens pesquisadores e técnicos ambientais do Brasil e do exterior</em></p>



<p>Estão abertas as inscrições para a Escola São Paulo de Ciência Avançada “Co-criando avaliações de biodiversidade”, que ocorrerá entre os dias 27 de outubro e 8 de novembro de 2024, em São Pedro (SP), a cerca de 200 quilômetros da capital paulista.</p>



<p>A Escola, produzida e organizada pela pós-graduação em Ecologia do Instituto de Biologia da Unicamp, visa capacitar jovens cientistas e técnicos ambientais para obter e analisar criticamente dados de biodiversidade com maior efetividade para atender a demandas concretas. “A Escola foi concebida como um curso teórico-prático intensivo e orientado para resolver problemas”, explica Thomas Lewinsohn, do Instituto de Biologia da Unicamp e coordenador geral da Escola.</p>



<p>Organizado no âmbito do programa Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), com<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/112922/"> </a><a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/113102/escola-sao-paulo-de-ciencia-avancada-sobre-delineamento-de-avaliacoes-multidimensionais-de-biodivers/"><u><strong>apoio da FAPESP</strong></u></a>, o evento reunirá pesquisadores líderes em investigar diferentes informações de biodiversidade, com representantes de diferentes segmentos de usuários dessas informações. A escola combinará as demandas da sociedade &#8211; representadas por organismos multilaterais, órgãos de governo, ONG e setores privados &#8211; por informações de biodiversidade com as possibilidades atuais de se responder, com rigor científico, a estas demandas.</p>



<p>Os temas tratados incluem a conservação da biodiversidade, impactos de mudanças climáticas e de uso da terra, a efetividade de ações de restauração e manejo da biodiversidade, a manutenção de serviços e funções ecossistêmicas em diferentes regimes de uso e os usos socioculturais da biodiversidade.</p>



<p>Entre os palestrantes estão Bráulio Dias, do Ministério do Meio Ambiente e ex-secretário executivo da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica; Diane Srivastava líder do Living Data Project e professora University of British Columbia; Robin Chazdon, da University of Connecticut e codiretora global da Assisted Natural Regeneration Alliance e Joice Ferreira, da Embrapa Amazônia Oriental, ganhadora Prêmio de Engajamento Ecológico, Sociedade Ecológica Britânica em 2019.</p>



<p>Todos os participantes terão oportunidade de apresentar trabalhos ( pesquisas concluídas ou em andamento, ou então trabalhos técnicos em agências ambientais ou ONGs) em formato de <em>flash talks</em>.</p>



<p>Na segunda parte da Escola, os participantes trabalharão em grupos para desenvolver projetos focados em demandas e problemas reais, por exemplo, como comparar a diversidade em ecossistemas estruturalmente distintos; como avaliar os efeitos na biodiversidade de diferentes modalidades de cultivo, ou a efetividade de ações de conservação da biodiversidade.</p>



<p>Como resultado da Escola, alguns dos trabalhos em equipe poderão resultar em artigos científicos ou guias técnicos. “A intenção é que, ao fim da Escola, tenhamos contribuições tanto para ciência quanto para a tomada de decisão”, explica Simone Vieira, do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) da Unicamp e vice-coordenadora da Escola.</p>



<p>A escola financiará integralmente a participação de 60 estudantes e/ou jovens pesquisadores do exterior e do Brasil. Os interessados devem se inscrever até 11 de março, às 15h, por <strong>formulário on-line</strong>. Espera-se que os participantes possam acompanhar apresentações e se comunicar minimamente em inglês.Os candidatos selecionados serão notificados no dia 1 de abril.</p>
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